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Para mim, todos sabiam, em qualquer canto do planeta, que o jogador brasileiro geralmente tem uma qualidade acima da média. Não tô falando somente do jogador profissional, mas também dos peladeiros, daqueles que curtem um futebolzinho com a galera no final de semana,  bater um contra na praia, jogar um artilheirinho com a galera, ou qualquer outra variação da prática do esporte bretão.

Com isso em mente, com essa idéia de que o jogador brasileiro é visto como “o cara”, cheguei eu na Itália, onde morei por 7 meses para fazer intercâmbio. A primeira coisa que notei foi a paixão do torcedor italiano por futebol, sempre que entrava em alguma discussão dava pra ver o quão seriamente eles suportam seus times, e o quão apaixonados são. Além disso, eles gostam muito de jogar uma pelada, e a Itália é um país com maior concentração de campos de futebol por metro quadrado do que qualquer outro, incrível!

Ok, lá fui eu jogar com os caras, não só italianos, tinha gente de tudo que é lugar: Espanha, Estados Unidos, Inglaterra, Turquia, França, e outros que não lembro agora. Eu tava com outros dois amigos brasileiros, um mineiro e um carioca. A gente fez uma boa partida e nosso time venceu. Após a partida, o pessoal sentou pra resenhar sobre futebol. O curioso é que todos foram unânimes ao destacar uma característica do jogador brasileiro que eu sempre destacava aqui no Brasil mas não tinha a certeza sobre: o jogador brasileiro, geralmente, é extremamente instável psicologicamente.


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Balotelli, jogador promissor da seleção italiana e do Manchester City, realmente é um caso a ser seriamente estudado. A qualidade dele como futebolista poucos contestam,  é um atacante que tem habilidade, faz alguns gols com muita categoria, decide jogos, realiza jogadas de efeito, mas o grande problema é a sua cabeça.

Ele é capaz de fazer 2 golaços de placa na mesma partida e arruinar a atuação com uma expulsão boba. Diversas vezes discute com zagueiros, faz uso de cotoveladas, deixa o pé maldosamente, e por aí vai, ocasionando expulsões ainda na primeira etapa e deixando os companheiros, o torcedor e o treinador enfurecidos. Além do excesso de violência que é provocado por acessos de loucura, Balotelli também tem o dom de ser displicente de maneira extremamente irritante em lances de clara possiblidade de gol. Na pré-temporada do ano passado, irritou meio mundo quando, em determinado lance, ficou cara a cara com o goleiro e simplesmente virou de costas e tentou um gol de letra ridiculamente perdido. Neste mesmo lance, ele tinha um companheiro ao lado e também a total possibilidade de finalização “normal”. Recentemente, na EURO 2012, em jogo contra a Espanha, Balotelli roubou uma bola do zagueiro Sérgio Ramos e ficou novamente cara a cara com o arqueiro, em vez de finalizar ou rolar para Cassano, Balotelli simplesmente caminhou sem a mínima vontade de fazer o gol até ser desarmado pelo mesmo Sérgio Ramos que estava completamente vendido no lance poucos instantes antes.


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Jogadores que apresentam tamanha identificação com a camisa de um clube a ponto de chorar em seus jogos de despedida, isso é cada vez mais raro de se encontrar! 

Neste final de temporada do Campeonato Italiano nós presenciamos um daqueles momentos em que nos arrepiamos e voltamos a acreditar que o futebol ainda pode estar acima de questões financeiras, ele ainda é capaz de nos emocionar, capaz de traduzir valores como paixão, orgulho e emoção. 

A verdade é que, no atual momento do esporte, tudo parece artificial. Os sentimentos de orgulho e paixão por um clube são, na verdade, gerados para suprir esse vazio da nossa geração, vazio gerado pela falta de sentimento dos jogadores em relação aos clubes em que atuam. Os torcedores ainda amam seus clubes, isso nunca vai deixar de ser, mas a identificação com os atletas não é a mesma. Por conseguinte, se emocionar com uma despedida, com um ato de carisma, era algo que eu não esperava que fosse acontecer de maneira tão latente. 


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A ida do Thiago Silva para o PSG, da França, é o sinal de que tudo é possível para os milionários que resolveram brincar de donos de clubes de futebol. Não há identificação, amor, paixão ou projeto tentador que impeça esses caras de levar quem eles quiserem pros seus respectivos clubes. 

Vendo este repentino fenômeno da “criação” de super clubes, me lembro bem de quando jogava FIFA no Nintendo 64. Eu tinha o hábito de montar equipes com os jogadores que gostava, e não tinha essa de não apelar! Na época do FIFA 98, eu comprava Beckham,  Bergkamp, Suker, Maldini, Raul, Seedorf, Del Piero, Redondo, e por aí vai!

Hoje em dia, se tornasse a jogar FIFA 98, não mais me sentiria como um “apelão”, mas sim como um Sheik ou Príncipe Árabe, quem sabe até um Magnata Russo, torrando milhões e me imaginando, no tempo livre, passeando em meu iate monstruoso e passando finais de semana a vagar pelas ruas de Mônaco ou em minha mansão nas Ilhas Fiji. 

Por Caio Borges.