Imprimir

Jogadores que apresentam tamanha identificação com a camisa de um clube a ponto de chorar em seus jogos de despedida, isso é cada vez mais raro de se encontrar! 

Neste final de temporada do Campeonato Italiano nós presenciamos um daqueles momentos em que nos arrepiamos e voltamos a acreditar que o futebol ainda pode estar acima de questões financeiras, ele ainda é capaz de nos emocionar, capaz de traduzir valores como paixão, orgulho e emoção. 

A verdade é que, no atual momento do esporte, tudo parece artificial. Os sentimentos de orgulho e paixão por um clube são, na verdade, gerados para suprir esse vazio da nossa geração, vazio gerado pela falta de sentimento dos jogadores em relação aos clubes em que atuam. Os torcedores ainda amam seus clubes, isso nunca vai deixar de ser, mas a identificação com os atletas não é a mesma. Por conseguinte, se emocionar com uma despedida, com um ato de carisma, era algo que eu não esperava que fosse acontecer de maneira tão latente. 

O fato: na última rodada do Italiano, o Milan, vice-campeão, pegou o Novara em casa. Este jogo marcou a despedida de Gennaro Gattuso, Massimo Ambrosini, Inzaghi, Nesta, Van Bommel e Zambrotta. 

A atmosfera era incrível no San Ciro: muitas faixas, bandeiras, cartazes e lágrimas – épico! 

Os jogadores citados acima, todos muito emocionados, todos beijando o escudo da equipe, agradecendo o amor da torcida e tudo que suas passagens pelo Milan proporcionaram a eles. 

Os caras realmente jogavam com o coração. Van Bommel  ficou apenas uma temporada e meia no clube, mas era notável sua entrega em campo, notável seu amor pela torcida, sua dedicação para retribuir o carinho e seu orgulho pela instituição. Gattuso, Nesta, Ambrosini e Inzaghi foram verdadeiros mitos da equipe, ficaram lá por muitos anos, e podemos afirmar que nunca entraram em campo com a cabeça fora dele, nunca cogitaram ou especularam uma saída do clube ou então fazer corpo mole. Zambrotta jogou algumas temporadas em Milão, o suficiente para motivá-lo novamente a jogar futebol, já que este vinha de uma frustrante passagem pelo Barcelona, clube com o qual não se identificou. 

Aplausos para uma geração que se vai e que deixa como herança um modelo a ser seguido, um modelo que nos remete ao genuíno amor ao futebol, aquele que nos acompanha desde os primeiros chutes em uma bola de meia ou dente de leite. 

Por Caio Borges.